quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Declaração

Uma vez abri o dicionário quando criança  e li o significado da palavra amor, mas será que podemos realmente definir um sentimento tão forte e verdadeiro? Não há palavras que definam o que nós sentimos. Apenas comparações, tentativas por vezes falias por vezes válidas. Outro dia fui a Catedral para refletir, orar e  por a cabeça em ordem,  e me deparei com um casal de idosos sentados em um banco na praça de mãos dadas, o senhor já de idade avançada acariciava a mão de sua companheira, e assim os dois iam conversando. Sentei-me perto pois aquilo me causou comoção. Comecei a conversar com o casal e eles no decorrer da conversa me disseram que já estavam a 60 anos juntos e que tinham 10 filhos, netos, bisnetos e tataranetos ( quando disseram senti  um demasiado orgulho por sua parte). Disseram também que não poderiam imaginar a sua vida se juntos não tivessem construído. Aquilo soou como a letra mais sincera da mais bela música que poderia ter escutado. Por mais que as pessoas queiram não afirmar ou não acreditar o amor ainda existe e persiste na vida de todos, ele urge por permanecer sempre que tentamos o negar veemente. Começar um relacionamento e ter em mente que certa hora irá acabar é condicionar sentimentos que não podem ser mensurados e nem estabelecidos, eles simplesmente acontecem e pronto. Se as pessoas deixarem de acreditar no amor umas pelas outras, deixar de acreditarem que podem construir uma vida ao lado de alguém sem deixarem sua essência de lado deixarão de sentir, de viver, deixarão indubitavelmente a sua fé. Viver intensamente não é estar nos extremos é simplesmente entregarem-se as pessoas de maneira pura e verdadeira sem ter medo do que possa acontecer depois. Enfrentar as dores se elas vierem é ter coragem de dar um passo sabendo que no caminho feridas poderão ser abertas. O ser humano é sentimento, é alma, espírito, e sem uma mão estendida  jamais poderá seguir  adiante. Todas as pessoas precisam umas das outras para evoluir caso contrário cada qual nasceria em uma ilha deserta. Portanto, que me desculpem os incrédulos, os descrentes que procuram esconder suas frustrações por trás de idéias que não significam nada. Como não amar quando há muito tempo o filho de Deus demonstrou  a maior prova de amor que a humanidade poderia sentir. Como não amar a Deus e toda a sua obra que nos brindam com vida todos os minutos de nossa jornada terrena. Como não amar as pessoas que me cercam e que fazem minha vida ser mais colorida. Como não amar aqueles que me odeiam por fazerem eu aprender que a vingança e o ódio não irão levar a lugar nenhum. Não posso viver e não sentir, não posso começar e esperar que tudo acabe, não posso acordar e deixar pra lá com a desculpa que tudo terá um final, não posso respirar e imaginar que posso deixar de respirar a qualquer momento, não posso deixar de amar porque sem amor eu nada seria, sem as pessoas que amo não viveria, não existiria simplesmente passaria pela vida assim como a chuva que cai e logo se vai, mas com a certeza de que logo irá voltar. Eu sinto logo existo.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vida imprevisível

Certo dia uma mulher ia para o seu trabalho como de rotina. Já estava a semana toda planejado em sua agenda. Tinha exatamente 45 minutos para chegar ao trabalho, o que daria para pegar um café descafeinado na padaria no decorrer do trajeto como era de costume.
Porem quando parou no semáforo esperando o sinal abrir outro carro atrás bateu na traseira do seu. Pronto todo o seu planejamento iria por água abaixo. Chegaria atrasada, perderia a reunião, teria que fazer hora extra... Desceu do carro irritada e foi falar com a pessoa responsável por mudar toda a sua rotina, para sua surpresa era um homem, da sua idade, e apesar de estar com um simples jeans e uma camiseta o achou ate bem interessante, porém voltou a si e continuou a falar com tom bravo. O homem foi educado, pediu seu telefone e disse que tudo ficaria por sua conta, pediu desculpas, a mulher em um tom arrogante disse que não fazia mais que a obrigação e saiu rápido deixando cair sua agenda sem perceber. O homem pegou a sua agenda e deu uma risada.
Chegando ao escritório deu-se por conta que havia perdido sua agenda, novamente irritou-se, como poderia ficar sem sua agenda não saberia o que fazer, ficaria perdida. Começou a falar e a resmungar alto ate que uma voz grossa a chamou. Era o homem que havia batido em seu carro. Quando ia soltar o verbo o homem estendeu a mão e alcançou sua agenda. Ela agradeceu e ele foi embora, porem antes de sair disse para ela dar uma olhada em determinado dia. O homem havia marcado no próximo dia um almoço com ela e deixado seu telefone como pedido de desculpas pelo acidente. Ela esbravejou por ele ter olhado sua agenda mas assentiu.
No outro dia foi ao almoço marcado, conversaram, deram risadas, a mulher sentiu-se muito bem ao seu lado como a tempos não se sentia ao lado de alguem.O homem a convidou para um passeio a tarde, ela olhou em sua agenda e disse que não poderia pois tinha uma reunião marcada. Os dias passaram e a mulher pensava o tempo todo nele, ate que resolveu ligar para o homem pois estranhou ele não ter ligado de volta, quando ligou sua mãe atendeu e com uma voz melancólica disse que ele havia sofrido um acidente de carro e havia falecido.
Quantas vezes na vida deixamos que a rotina tome conta. Quantas vezes deixamos de lado o imprevisível para se importar apenas com o previsível, porem esquecemos que verdadeiros sentimentos não podem ser previstos.Jamais devemos deixar para depois o que podemos fazer neste momento. Há momentos que são únicos. Na maioria das vezes as
pessoas dizem gostar uma das outras mas esquecem que as palavras para serem verdadeiras tem que serem vividas. No roteiro da vida as vezes é imprescindível que se deixe o script de lado e improvize antes que o texto termine e não aconteça o final almejado. Agir em vez de esperar e simplesmente viver! Viva um dia de cada vez...
Gabrielle Funguetto Zancan