sábado, 29 de outubro de 2011

Carta de despedida


" Se um amanhã houver e novamente cruzares meu caminho como os raios do sol ao amanhacer, os quais ao mesmo tempo em que iluminam a escuridão a tornam fria e solitária quando desaparecem por entre a silencia e obscura noite enluarada.
Pedirei que se partires não expresse palavras vazias, simplesmente parta, não destrua ainda mais esse sentimento como os covardes fazem com um doce beijo, deixe-me como os corajosos que o fazem com a ponta afiada de uma espada. Pois por mais que pareça sem sentido sempre acabamos destruindo quem mais amamos.
Palavras vazias são como tempestades que surgem calmamente por entre as nuvens, mas que com passar acabam por destruir os caminhos por onde passam através de sua águas revoltas, para novamente ressurgir em outro lugar.
Se um amanhã houvesse, a palavras que estão encalacradas por trás de minhas lágrimas saíram tal como um pássaro ao dar seu primeiro vôo de liberdade após um longo tempo de prisão.
Se um amanhã houvesse a esperança reascenderia a luz apagada tal como o botão de uma rosa que luta para desabrochar após dias de neblina e frio.
Se um amanhã houvesse pediria que olhasse para o jardim ao lado, para aquele singelo botão, e esperaria que por um só instante observasse a beleza e sentisse o perfume que exala, pois a felicidade está sempre ao lado de quem ama, ao passo que lamentaria se por virtude nesse mesmo dia o botão morresse por falta de amor."
Gabrielle Funguetto Zancan

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